Paz e Bem #725 – Vozes-mulheres – as vozes das mulheres negras – Conceição Evaristo – 21.11.20

Paz e Bem #725 - Vozes-mulheres - as vozes das mulheres negras   - Conceição Evaristo - 21.11.20

No Paz e Bem deste sábado (21), ecoa o Dia de Zumbi e Dandara no eco das “Vozes-mulheres”, nas vozes das mulheres pretas de todos os tempos, eternizadas pela grande Conceição Evaristo que, aos 73 anos é uma das maiores poetas, contistas e romancistas negras do país. O poema foi uma escolha de Sumaya Fuad, que o declamou com rara sensibilidade. As fotos das mulheres que ilustram a declamação são, além da própria Conceição, de participantes do Paz e Bem e do programa Giro das 11 na pós-TV 247.

VOZES-MULHERES
A voz de minha bisavó ecoou criança nos porões do navio.
ecoou lamentos de uma infância perdida.
A voz de minha avó ecoou obediência aos brancos-donos de tudo.
A voz de minha mãe ecoou baixinho revolta no fundo das cozinhas alheias debaixo das trouxas roupagens sujas dos brancos pelo caminho empoeirado rumo à favela.
A minha voz ainda ecoa versos perplexos com rimas de sangue e fome.
A voz de minha filha recolhe todas as nossas vozes
recolhe em si as vozes mudas caladas engasgadas nas
gargantas.
A voz de minha filha recolhe em si a fala e o ato.
O ontem – o hoje – o agora.
Na voz de minha filha se fará ouvir a ressonância
o eco da vida-liberdade.

– Conceição Evaristo, no livro “Poemas da recordação e outros movimentos”. Belo Horizonte: Nandyala, 2008.

Maria da Conceição Evaristo de Brito (nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, 1946) nasceu em uma família pobre e é a segunda de 9 irmãos, sendo a primeira de sua casa a conseguir um diploma universitário. Ajudava sua mãe e sua tia com lavagem de roupas e as entregas, enquanto estudava. Nos anos 70, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou num concurso,começando a escrever apenas na década de 1990. Ela concluiu o mestrado em meados da década de 1990 e o doutorado no inicio da década de 2010.Romancista, contista e poeta, é Graduada em Letras pela UFRJ, Mestre em Literatura Brasileira pela PUC do Rio de Janeiro, com a dissertação “Literatura Negra: uma poética de nossa afro-brasilidade”, e Doutora em Literatura Comparada na Universidade Federal Fluminense, com a tese “Poemas malungos, cânticos irmãos”

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Terça – Monja Heishin
Quarta – Carla Pavão
Quinta – Iyá Adriana de Nanã
Sexta – Mauro Lopes
Sábado – Sumaya Fuad
Domingo – Reverendo Eduardo Henrique

Cursos e outros programas
6h30 – Quarta – Caminhos do Espiritismo
10h30 todos os dias – Boas Palavras para um bom dia (Dora Incontri)
17h
Segunda – Pedro Lima Vasconcelos
Quarta – Faustino Teixeira
Quinta – Dora Incontri e Maurício Zanolini
Sexta – Fernanda Carlos Borges

19h
Quarta – Marcelo Barros – Teologias da Libertação para nossos dias
Domingo – Faustino Teixeira declama poesias

21h
Ofício Noturno de Completas (segunda a sábado) – Rev. Eduardo Henrique