Domésticas e a Disney.

Domésticas e a Disney.

A novidade, aqui, é que, pela boca do ministro da Economia do governo Bolsonaro, cérebro dos mais graves ataques ao bem-estar da maioria dos brasileiros, comprova-se que que o preconceito está longe de ser um elemento fora do lugar — mas tornou-se parte constitutiva da política econômica do país.

Influi na tomada decisões, determina as medidas que são tomadas, explica as escolhas feitas.

O ministro disse:

“Não tem negócio de câmbio a R$ 1,80. Vamos importar menos, fazer substituição de importações, turismo. [Era] todo mundo indo para a Disneylândia, empregada doméstica indo para a Disneylândia, uma festa danada!”

Para quem não entendeu, vamos explicar. O ministro não está preocupado com eventuais vantagens ou desvantagens de uma política de cambio alto ou cambio baixo, tema que alimenta um debate eterno entre economistas neoliberais e desvolvimentistas. A discussão não é técnica.

Está preocupado com o efeito do dolar a 1,80 na vida da maioria dos brasileiros. Fica incomodado com a "festa danada" da "empregada doméstica indo para a Disneylandia". Sabemos o tipo de mentalidade que fica incomodada com a "festa danada" das pessoas pobres", não é mesmo? Também sabemos a cor da pele que costuma ser associada a essas pessoas, certo?

Não é um momento isolado. Quando debateu a reforma administrativa, Paulo Guedes disse que é preciso acabar com a estabilidade do funcionalismo público porque se trata de um "parasita".

Novamente: não se trata de um debate objetivo, no qual se pode fazer um debate para tentar convencer o país das vantagens e desvantagens relativas aos dois sistemas. O ministro quer impor uma visão indiscutivelmente preconceituosa sobre os funcionários públicos, aqui retratados como aproveitadores incorrigíveis.

O problema das autoridades movidas pelo preconceito reside na natureza intransponível de uma visão de mundo sem dúvida associada ao ódio.

No século XIX, nas décadas finais da campanha abolicionista, o escritor José de Alenar, umas das principais lideranças que defendiam a permanência da escravidão, era incapaz de reconhecer a barbárie em construção na sociedade brasileiras daquele tempo. Preferia dizer que o cativeiro era necessária para "civilizar" o negro. Não era um cidadão qualquer — mas um dos principais romancistas da época, influente e reconhecido como poucos.

É fácil reconhecer a matriz do Brasil de 2020, de Paulo Guedes e Jair Bolsonaro.

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